domingo, 8 de fevereiro de 2009
Os sons da lareira...
Ouviu o raspar do badil na laje de cineração para retirar a cinza acumulada. Acudiu-lhe ao nariz o cheiro acre da cera da pinha a arder antecedido pelo charriscar de um fósforo. Depois, foram as atiçadelas de tenaz, secas e firmes, a esburgar o tição do toro de amendoeira que há vários dias ardia devagarinho à lareira. Ouviu “tric”, quando as dependurou no prego negro que ficava ao lado da fogueira e as hastes se fecharam. Ouviu o soltar da caldeira da vianda das lárias, ideou-a a abanar como sempre acontecia ao ser aliviada do peso, escutou os passos pesados a deslocarem-se escada abaixo, apercebeu-se do despejo na pia dos porcos. Ouviu os roncos de sofreguidão e abocanhamento.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Influências...
Nos dias seguintes, depois de conhecer as suas íntimas necessidades, procurou ganhar-lhe a confiança mostrando-lhe uma filantropia interesseira. Amordaçou-o quando lhe deu conhecimento da próxima entrega de chaves do novo bairro de casas económicas acabado de construir. Novinho em folha - disse-lhe ele -, é lá para os lados da Areosa. Aperreou-o ao dar-lhe o nome de alguém capaz de mover influências lá dentro, bem capaz de o ajudar, em troca de um pequeno pecúnio, claro! A partir desse momento, não teve dívidas que tinha ali um grande amigo. Uns dias depois veio a contrapartida...
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Desconfianças
As conversas não iam além das coisas banais e comezinhas, assentando com grande fulgor na temporada de futebol. O ambiente tornou-se soturno. Todas as palavras eram medidas e pronunciadas num tom de desconfiança, sempre a olhar por cima do ombro, sempre a ver quem estava por perto.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
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