domingo, 17 de maio de 2009

Os velhos.

Ensine-se. Ensine-se história nas escolas. Criem-se centros de lições aprendidas, centros de interpretação, organizem-se congressos de história, não se deixe parecer que o mundo começou agora, não se deixe passar a ideia de que todo o passado não merece crédito. Valorizem-se os velhos. É preciso ouvi-los, escutá-los, entendê-los, é preciso ter a certeza que todos percebem, que tudo aquilo, o já vivido, conta. É preciso valorizá-los. Deixem-nos ser eles a julgar, eles sim, têm a sabedoria do bom-senso e a justeza do meio-termo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Qual verdade?

Qual verdade? a verdade sou eu. Eu! que tenho armas, sou a verdade, estou acima de todas as coisas. Que ninguém me questione, que ninguém me aponte o dedo, eu! sou o verdadeiro salvador zé-ninguém. Eu sou o teu libertador. Entrega-te zé-ninguém. Liberta-te na escravidão.

sábado, 2 de maio de 2009

D. Quixote.

Ficou na dele, o pai descarregou a sua ira, mas nem por isso deixou de procurar a companhia do novo amigo, não o achava nada perigoso conforme lhe fez acreditar o pai, pelo contrário, achava apaixonantes as suas ideias de igualdade, o seu conceito de homem, agradava-lhe aquele acreditar em algo que lhe parecia grandioso, até pode ser considerado utópico, mas não deixava de lhe parecer heróico defender as suas verdades com todo o seu querer, como um Che, ou um D. Quixote, alienado e crente, a combater com afinco as atafonas de vento.

domingo, 26 de abril de 2009

O corpo da Aida.

À noite deitado ao lado da Aida, deitava contas à vida. Todos dormiam, o irmão na quartido da frente, de onde por vezes vinham uns sonidos rangentes, e ele na saleta com o corpo quente da Aida, ali à mão de semear,
pudibundo, sem lhe poder tocar,
o sangue nas veias fremia,
mas ele de mãos postas resistia.