A partir do momento em que o homo pouco sapiens foi possuído pelo senhor Cifrão, todas as relações são baseadas nesse valor. Exemplos não faltam, ainda ontem os jornais noticiavam corrupção, ainda ontem assisti ao enaltecimento desse dignificante valor da natureza humana.
– Vai ter que deixar metade do valor do custo do trabalho. – Informou o empregado da loja. Rapaz novo.
– Porquê?... Está a desconfiar de mim? – Inquiriu o cliente, homem na casa dos 40, nitidamente incomodado por tal exigência.
– Não! Nem pensar. – Asseverou o empregado já um pouco embaraçado para se justificar. São as regras da casa. Está a ver aqueles trabalhos ali – e apontava para um canto da loja –, eram todos clientes de confiança.
– Irrita-me, severamente, quando desconfiam de mim sem me conhecerem de lado nenhum. – Resmungou o cliente – à medida que pegava nas folhas que colocara em cima do balcão e saía, irritado, provavelmente, à procura de outra empresa que lhe fizesse o serviço.
domingo, 1 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Entre o preto e o branco
O comboio estava apinhado, os dois homens falavam da atualidade. O mais velho, na casa dos sessenta, barbudo, olhar arguto, dizia:
– À medida que avanço na vida cada vez mais me convenço que nada no Homem é absoluto. Entre o preto e branco, que apenas afirma ver, há sempre muitos cinzas de permeio. Ele encerra muitas verdades.
– À medida que avanço na vida cada vez mais me convenço que nada no Homem é absoluto. Entre o preto e branco, que apenas afirma ver, há sempre muitos cinzas de permeio. Ele encerra muitas verdades.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Na Intuição do Tempo
Será possível fazer a síntese de um determinado tempo e percepcionar o futuro? Que movimentos, que ideias nos influenciaram e nos fizeram seguir em determinada direcção? Este é o propósito deste livro, que procura condensar alguns dos movimentos sociais do século XX, materializados em personagens que interagem entre elas dentro do comboio do tempo, um tubo de ensaio onde as personagens ora exteriorizam os seus pensamentos, ora os verbalizam, ora comentam a paisagem que vai surgindo através da vidraça do imperecível comboio, permanentemente fustigado pela força das intempéries da tecnologia e que o engenheiro Norberto acredita dominar.Nada acontece por acaso.
Que influência teve nas gerações seguintes a revolução geracional dos anos 60, representada pelo Horácio, um estudante influenciado pelo movimento hippie? Que peso teve a queda do muro de Berlim e a Guerra Fria que o mundo viveu, e que morreu com o Gonzaga, um comunista idealista que ainda acredita na luta do proletariado? Aonde nos conduz o homo pouco sapiens que, embalado pelo chouto do comboio da globalização e do consumismo desenfreado, ainda acredita ser o maquinista e dominar a máquina, travar e acelerar sempre que o desejar, mas, em boa verdade, já não tem os freios para poder orientar essa possante besta que a todos arrasta?
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