segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A grandeza das coisas

– Neste ponto da viagem, onde a insipidez e a monotonia egocêntrica do caminho se associa ao cansaço, torna-se-me evidente que o cérebro produz a consciência das coisas e atribui-lhe sempre uma grandeza em função daquilo que somos – interrompeu o Daniel. – Não falo, obviamente, da grandeza física, falo de uma grandeza subjectiva, mas, se calhar, até a grandeza física é uma função da pessoa. Existem diferentes tamanhos para as coisas, dependem da nossa riqueza interior. Quem não achou minúsculos os espaços que na infância eram enormes? O cérebro não é mero transmissor das sensações, tenham elas a origem que tiverem. Ele é muito mais do que isso, é o gerador e o grande fautor da grandeza das coisas.
O caminho pode adquirir múltiplos significados, dependendo da cultura e dos genes de quem o percorre. Pode não passar de mera vereda limpa, isenta de silvas e giestas, flanqueada por uma tantas igrejas que não vão além de vulgares paredes de pedra talhada. Ou, então, o caminho é uma estrada do conhecimento, uma estrada de transformação da matéria, bordejada de obras-primas da criação humana que emergem da terra sagrada, casas de Deus em que se acredita, e onde tudo se faz em sua honra. Um livro aberto, cultura viva, linguagem que todos percebemos, argamassa que nos une e nos orientou naquilo que somos. Essas visões dependem de nós, da forma como apreendemos o mundo e nos relacionamos com ele.
Fazer o caminho é, juro, um acto interior, e reflexivo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ultreia! Caminho sem Bermas


Neste livro, descrevo o caminho e as impressões colhidas ao longo do “Caminho Francês”, e vou garatujando um segundo caminho paralelo a esse: o caminho do conhecimento e do não-conhecimento. Este é o caminho simbólico do Daniel, um professor, um artificie de consciências, que ao longo do seu trajecto tenta, em todos os momentos, melhorar enquanto pessoa, encontrar dentro dele a melhor forma de andar ao longo desta senda que é, ao fim e ao cabo, o caminho da vida.

Lançamento: 19 de Novembro de 2010, pelas 21H00, na Biblioteca Municipal de Valongo.

domingo, 11 de julho de 2010

BJH


Aquele erro anacrónico, aquele acrisolamento que se cria nas nossas consciências quando não se vê alguém durante muito tempo e a imagem permanece intacta, como se fosse imune ao tempo, senti-o ontem, talvez no seu grau superlativo. Foi um choque. Ao longo do tempo, sempre os ouvi, sempre que fui à “net” pesquisar os seus vídeos surgiam aquelas imagens antigas, como se nada tivesse mudado. Enganei-me. Passaram 30 anos, eu mudei e eles também. Mas passado o choque não foi mau. Posso até admitir que talvez tivesse sido preferível ficar com essas imagens, as imagens de um outro tempo na minha consciência, mas afora isso, não me arrependi. Com eles vieram à tona da minha memória outras recordações, de um outro tempo que não volta.
- Não volta John Lees! Foi essa certeza que percebi no teu olhar marejado.