Deixa-me trazer-te as canções da floresta: para te sentires muito melhor, mais do que podes saber Cheio de Poeira, dos pés à cabeça. Mostro-te como o jardim cresce. Segure firme, vê como vai. Junta-te ao coro, se puderes: Ele vai fazer de ti um homem honesto. Deixa-me trazer-te o amor do campo: Papoilas vermelhas e rosas cheias de chuva de verão. Para curar a ferida e a dor que te ameaça novamente Enquanto se arrasta a travessa em todos os amantes A Celebração longo da vida é aqui. Eu vou brindar a todos num elogio fraco. Deixa-me trazer-te todas as coisas refinadas: Canções de luto servidas em cerveja resfrescante. Cumprimentos por encontrares o colega granizo! Eu sou o vento para encher a tua vela. Eu sou a cruz para fixar o seu prego: Um cantor desses tempos imutáveis. Com prosa de cozinha e rimas de sarjeta. Canções da floresta fazem sentir-te muito melhor.
Desço a rua silenciosa, húmida, as casas comprimidas vão-se sucedendo, as varandas opostas quase se tocam. Imediatamente brota em mim uma corrente de impressões, leves, tão leves que só tomo consciência delas mais tarde, depois de sair do aperto da rua e entrar na largueza da praça. Entretanto, e sem dar por ela, vivi. Embevecido pelas formas, pelos ângulos, pelas gentes que nela circulam, pelos rostos antigos que me falam, que me respondem e me questionam, pelas plantas, e não só, que apenas vegetam, por tudo isso sonhei vidas através de um diálogo mudo e contínuo que não me cansa.
O rosto, a expressão do rosto, melhor dizendo, é a janela da alma, como dizem os poetas. Pode ser, e normalmente é, a expressão momentânea do ribeiro que, permanentemente, corre no interior de cada um de nós: às vezes calmo e sereno, outras vezes intempestivo e ludro. A expressão de um rosto pode também ter origem externa e ser a transcendência de um estado de alma alcançado, também momentâneo, quer pelas coisas simples e impressivas que os sentidos conseguem captar, quer porque já todos nós fomos freudeanamente desnudados, e a psicologia das vendas não se cansa de nos saciar. Mas, e não tenho dúvidas de qualquer espécie que a expressão de um rosto contém também a marca indelével de como se pensa o mundo. Um rosto possui também a acumulação de um sentir, de uma forma de estar e de pensar. Há rostos que integram a solidão, as crenças, as alegrias, as tristezas, as certezas, as dúvidas, as angústias, as esperanças... encerram as feridas permanentes de toda uma vida, encarnam a humanidade mais profunda que se pode conhecer.