segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ainda bem que há gente assim

Era tido como um homem irrequieto, um homem que nada o fazia parar, sempre pronto a saber mais, a querer compreender tudo, no fundo, sempre à procura da luz que sabia existir em todas as coisas que o rodeavam. Para muitos era um homem misterioso, talvez até um homem incompreendido tendo em conta os padrões da época.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Gosto...

Gosto de pensar que nos caminhos vivem as almas de quem os calcorreou milhentas vezes, e olhar para a marcas da erosão como sendo as marcas dessas mesmas almas. Gosto de pensar que a pedra quadrada da parede de uma pequena igreja adquiriu o sentir do pedreiro que a talhou. Gosto de ler livros que falam dos caminhos e das pedras que percorro, e que bem conheço. Gosto de pensar que os locais e as coisas adquirem o espírito do tempo. Gosto de olhar para elas e tentar captar essa mesma essência que acredito encerrarem, mas que, em boa verdade, não passam de meras paredes erguidas a quem o tempo geológico não perdoará.

domingo, 28 de agosto de 2011

Banquete dos sentidos

Sirvo o aperitivo e aprecio as formas femininas das fragas. Depois, depois banqueteio-me com o verde servido em diferentes tons e em diferentes formas. Ora são pontos verdes, ora são linhas, ora uma massa informe que sobe e desce indefinidamente. Devoro com sofreguidão néctares que me chegam aos sentidos. Não resisto aos paladares e, sem talheres, sem etiquetas sociais, tudo devoro apressadamente. Depois, empanturrado, corro, corro… corro vertiginosamente monte abaixo e percorro as rugas da gigantesca manta de retalhos que se inicia aos meus pés. Passo acima do alinhado casario que se avista lá ao fundo. Aceno aos transeuntes que olham abismados. Atravesso ribeiros, aprecio a velha ponte de arco romano, toco as copas dos predizentes carvalhos, atravesso lameiros e depois desato a subir. Subo, subo, subo… E a pergunta impõe-se. Aonde nos leva o céu?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011