segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Enfrentando a morte

- Quero morrer em casa – disse ele aos filhos quando se sentiu despedido pelos médicos.
A morte nunca o incomodou. Sempre a aceitou com a normalidade da vida. Era um céptico, o seu desconhecimento nunca lhe impôs outros comportamentos que não fossem os da sua consciência. Queria morrer em casa, queria morrer como morreram os seus ancestrais: rodeado pelos filhos, pedir-lhes perdão por aquilo que fez e que podia ter feito.
Queria encará-la de frente, sem ilusões de viver indefinidamente, encará-la como sempre fez aos homens: com verdade. Olhá-la-ia, sem medo, nos seus olhos infinitamente sapientes, que lhe reconhecia ter. Deixar-se-ia enlevar pelo seu doce relaxe muscular. Caminharia com ela lado a lado, como companheiros de uma viagem, a sua terceira e derradeira viagem, a viagem ao início da noite.
A velocidade da ambulância em que seguia parecia corresponder aos seus desejos. Estava com pressa de saber a verdade, de conhecer a alquimia da vida, o conhecimento autêntico e genuíno. Finalmente ia ter a sua cruzada apocalíptica. Finalmente ia poder saber de onde veio. Finalmente ia entrar no seu mundo onírico e desordenado, o mundo dos seus fantasmas e dos seus medos, um mundo repleto de figuras incriadas e paradoxais que sempre o assaltaram mas que nunca matou, porque sempre as tentou compreender.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

The Who



(...)

I'm Free-I'm free
And freedom tastes of reality,
I'm free-I'm free,
And I'm wating for you to follow me

(...)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Elogio da Loucura

Hoje contactei com alguém que tinha estudado no estrangeiro integrada no "Programa Erasmus" e porque, também hoje, acabei de ler o Elogio da Loucura associei os dois factos e resultou esta estulta ideia:

Habitualmente, quando ouço falar na necessidade de cooperação entre os diferentes Países de Língua Oficial Portuguesa a conversa é sempre a mesma: é necessário criar pontos de cooperação, é necessário estimular o intercâmbio cultural em todas as áreas e, depois, como sempre, as dificuldades financeiras acabam por ter sempre o seu peso, etc. Enfim, é só intenções. As dificuldades são de toda a ordem e as coisas acabam por se arrastar, arrastar ao longo dos anos. E porque é assim, e acredito que essas dificuldades existem mesmo, pergunto (não sei a quem) se faria sentido criar “programas de cooperação” entre alunos dos diferentes países dos PALOP, permitindo, também ele, a mobilidade de estudantes e professores? Programas do género do ERASMUS. Será isto possível? Será que, com os anos, não acabaria por dar pontos de contacto e gerar a tal cooperação que tanto se deseja? Será isto viável, ou não passa de mais uma ideia da estulta filha de “... Plutos gerador único dos homens e dos deuses por muito que custe a Homero, a Hesíodo e ao próprio Jove”, filha essa que não procede “…do Caos, nem do Orco, nem de Saturno, nem de Júpiter, nem de nenhum desses deuses obsoletos e poeirentos.”?