quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Boas Festas!

Fiquem bem, fiquem com o Natal inquietante do PEDRO CASTELHANO.

Quando o Natal chegar
liberta o pirilampo e liberta a Luz
arruma a ternura e arruma a casa.
E areja o sótão da tua infância.
Quando o Natal chegar
dá música aos surdos
e palavra aos mudos
afaga laranjas nas mãos frias
e figos secos ao luar
e amêndoas de Agosto a quem chegar
e limões, e ácidos limões, em teu lugar.

Quando o Natal chegar
à beira do rio olha a outra margem
cheia de sombras, pedras e perdas
e abre os braços, colunas e apontes
e começa a alma qual piano
Na translúcida mágoa de nada tocar.

Quando o Natal chegar
Jesus já passou sem passar
na barca do tempo, entre margens
sem rio, mas à beira de naufragar.
Quando o Natal chegar
não leves granadas para casa
nem pombas para qualquer lugar.
Caça pombas ao anoitecer, morcegos
da tristeza e olhares cegos e vazios.

(…)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tudo é passageiro

Antes que termine o dia, antes que a noite me apague a consciência de existir quero, mais uma vez, dialogar comigo. Quero encontrar razões para continuar a descrever paisagens que não existem, a burilar sem buril ou a pintar sem pincel e, sinceramente, não as encontro. Passo em revista tudo o que foi escrito e é como se estivesse debruçado sobre um espelho de água. Tudo não passa de uns farrapos de memória, pequenas arrelias, grandes preocupações. Quando me parece ter aberto uma porta logo outra encontro fechada, parece-me interminável esta busca, quando na realidade tudo tem um fim. Talvez prozac! Pela segunda vez sinto que não faz sentido continuar.
Na vida tudo e todos passam!
Talvez o novo ano me traga mais alento, coisa que hoje não tenho.
Até lá!

Vanessa Mae

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Fio de Ariadne

Quanto maior é ânsia de compreender maior o abismo cavado. Tendo abster-me de pensar, libertar-me do produto deste intrincado circuito de sinapses, que não conheço, que não sei onde começa e onde termina, mas que, paradoxalmente, parecem possuir vontade própria. Não me obedecem! Sigo o fio de Ariadne mas logo se me escapa uma ponta e se inicia outra. Levanto-me, ando de trás para a frente, respiro fundo, espreito à janela… nada surte efeito. É impossível controlar este monstro chamado pensamento! É de tal forma poderoso, tão profundamente humano que é irrealizável sair deste dédalo de emoções e pensamentos.
- Age – segredam-me ao ouvido.
Agir é a fórmula para sair do labiríntico mundo interior, concluo.