sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Paisagem irreal

Passamos tantas vezes sem ver que, por vezes, só as cores fortes nos dão a consciência daquilo que nos envolve. Às vezes, é necessário a natureza emitir sinais arrebatadores de presença para a olharmos. Hoje vi o dia abandonar-se nos braços da noite, como nunca. Vi o céu vestir-se de arrebol forte, tão forte que era impossível ficar indiferente. Depois, à medida que o sol se afogava no oceano, este, foi diluindo com água salgada o laranja-forte, a noite foi misturando preto, tudo muito lentamente, sem nunca estagnar, até chegar ao cinzento crepuscular, translúcido e impreciso que se tornava impossível saber onde começava o dia e acabava a noite.
De repente, já entre penumbras e luzes cintilantes da cidade, levantou-ser um brisa arrepiante.
Fui para dentro.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Emoção versus razão

O equilíbrio entre a emoção e a razão é-me difícil. Pequenos problemas tomam proporções que nunca hei-de compreender. A onda que inicialmente se forma é pequena, depois, à medida que avança agiganta-se, sobe em altura e em volume, de tal forma, que toda a minha realidade física e mental se altera. Na tentativa de a compreender sinto que tem quase sempre um mesmo padrão. Normalmente, começa por atravessar as ruínas do passado, absorve a energia da impaciência, remexe angústias, arrasta tédios e quando, finalmente, dá à costa da racionalidade, da inteligência e do pensamento, tem já proporções de tsunami sem que dê por isso.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Wim Mertens

Caos

Todos nós temos dias assim! Talvez os astrólogos tenham razão. Talvez o alinhamento dos planetas nos induzam a fechar ou a abrir as portas. Hoje quero acampar em mim e refazer o caos. Hoje, apetece-me vagabundear pela ruas desertas e saborear o casario descolorido.