segunda-feira, 19 de março de 2012

domingo, 18 de março de 2012

Fugas

Esta descoberta de mim, este caminho marítimo em direcção ao oriente que venho cultivando neste blogue, e não só, está-me transformando. Quando iniciei estas sondagens, quando comecei a picar o caminho minado deste meu mundo interior, confessei para mim próprio que este processo terminaria quando estivesse em carne viva, e que, nesse futuro, este espaço terminaria com um livro, se possível.
Não me parece que já esteja nesta fase, penso que há muita escuridão para explorar, muitas contradições por esclarecer. Não creio, portanto, que esteja nessa fase, sinto que há ainda muitas revelações por fazer, muitos tédios para esclarecer mas as diferenças sentidas são cada vez mais acentuadas.
As emoções e os sentimentos são-me cada vez mais fortes e cada vez mais insuportáveis de viver. Já não sou o mesmo, a hipersensibilidade adquirida ao longo deste processo, torna-me interiormente mais rico mas exteriormente mais pobre. Os olhos rasam-se-me de água com memórias, arrepio-me com o meu imaginário, é-me cada vez mais difícil suportar conversas banais, venham elas de onde vierem. Telenovelas sejam elas televisivas ou profissionais incomodam-me. Cada vez mais admiro os ascetas. Estou a ficar insuportável para mim e para os outros.
Apetece-me sair definitivamente do mundo externo. Apetece-me cada vez mais ficar cego surdo e mudo e viver simplesmente a minha realidade.

Fermento de Liberdade na ALTM

sexta-feira, 16 de março de 2012

O desespero


Amo as grandes malencolias, as insensesulidades metafísicas da inexistência. Amo a dor do não-sentir o colapso e a redundância da minha inorganidade que não me canso de elevar. Amo as esquivanças da alma, as fugas deste vago e inútil sopro de vida que me corre nas veias. Amo sacralizar as catacumbas de castelos conquistados pelos cruzados perdidos e errantes, enterrar-me ao seu lado, esquecer-me de me mim, sepultar-me-me em lugares esquecidos pelas memórias e deixar-me infiltar pelo gélido frio do tempo geológico.
Se algum dia tiver que explicar este sentir ficarei calado, a actividade cerebral cessará, o coração colapsará. Não transmitirei uma ideia, parmanecerei mudo, tronar-me-ei insensível, ninguém descortinará uma leve expressão nem no olhar, nem nos músculos faciais. Nenhum bafo ofuscará um espelho que me coloquem à frente da boca. Cerrarei os olhos, adquirei uma cor amarelenta, não verterei uma lágrima, converter-me-ei espontaneamente num espectro de morte. Sei que assustarei todos, mesmo aqueles que algum vez me amaram, mas juro não que não proferirei uma palavra, nem um murmúrio.
Os sinos soarão trinados silênciosos que abenço-o, as ladadínhas serão insignificantes, os ribeiros calar-se-ão, os montes transformar--se-ão em planícies e a escuridão finalmente será luz.