segunda-feira, 14 de maio de 2012

Him

Desconstruções

Neste mar agitado, definitivamente instalado, neste silêncio que me cobre, bóiam tristezas indizíveis, fermentam sentimentos, nascem emoções. Há em mim uma inacção corpórea e uma agitação mental perturbadora. Destruo-me, sei que me destruo, conscientemente. Desconstruo todo este edifício, como quem derruba uma parede, como quem quebra uma corrente, como quem quer ver o mundo de outra forma.
Neste mar de silêncio medito em mim e no mundo, instalam-se-me dúvidas, nascem-me certezas, desenrolo-me em deambulações de supor que me obnubilam a consciência mas que me objectivam enganos e desenganos.
Acordo com o toque do telefone, desenlaço-me dos sentires e regresso à calma...

domingo, 13 de maio de 2012

Aqui chegado...

Quase de forma distraída, caminhei, errei neste deserto de mim durante longas horas e, passo a passo, a dor do fingimento foi encontrando eco nas cordas melodiosas das palavras. Eu, inocente, como sempre, acreditei que o fardo que carrego me fosse libertando automaticamente desta hipersensibilidade doentia. A busca da minha razão, fim último da verdadeira existência, havia de me mostrar a verdadeira dimensão das Coisas e o meu sossego, finalmente, seria merecido. A minha Índia estava depois da próxima tempestade, estava nas brumas do passado, a minha Terra Prometida estava ali, estava mesmo ao virar da próxima duna, do próximo pensamento, acreditava eu, já sentia o cheiro a amor e mel, a beleza dos palmares, a suavidade do oásis em campo desértico.
Enganei-me!
Não vejo o vale verdejante, continuo errante, não há Terra Prometida, tudo não passa de uma miragem, só o meu sonho é real.
Sozinho, sempre sozinho, sigo-o...

sábado, 12 de maio de 2012

Paisagens de mim

Hoje, folheio paisagens irreais em mim habitadas. Procuro senti-las, interpretá-las, lê-las em sequência, classificá-las, fazer delas capítulos deste livro inacabado que pagino nas horas de tédio, nas horas de inação e angústia. Desnudo-as, visto-as, reflito nelas silentemente à procura de uma corrente comum a todas, mas não consigo agrupá-las, definir as reais das irreais, as verdadeiras das falsas, as sonhadas da dos sonhos. Missão impossível! Surgem-
-me num emaranhado onírico de saudade de mim de onde não vislumbro saída.
Surgem falsas, inúteis, mas, apesar disso, não consigo desfazer-me delas, sinto-me incapaz de as deitar fora, de as arrumar definitavamente neste sótão poeirento da inexistência. Estremeço com elas, amontoam-se-me à flor da pele e, como que para as materializar, vou a correr para os papéis amarelentos que acumulo no canto da sala e de mim, já amarfanhados pelos sentidos, rasgados pelo tempo, bafientos pelas emoções neles acumuladas.
Releio-os, vejo rabiscos, sublinhados, setas a assinalar importância, como sempre gostei da fazer, mas nada me parece verdadeiramente meu. Não me reconheço nesses sinais inocentes, nessas substâncias de outras cavernas de mim.
Não identifico de quem eram, doem-me simplesmente.
Resta-me continuar a sonhar.