Ser-se é estar só. Abdicar. Abdicar do mundo exterior, repousar no remanso patoril do silêncio e viajar pela serenidade incompreensível que um fim de tarde nos trasmite. Existir é sentir! Repousar à sombra de nós, madrugar, sonhar, arrancar os jardins botânicos, sempre alinhados, que cresceram pelas palavras ocas, pela voz, pelo olhar, pela vaidade mundana, e deixarmo-nos levar pela frescura dos riachos selvagens ou morrer no calor abrasador de um deserto inexplorado.
Ser-se é deixar passar horas do dia a escutar o barulho da incompreensão do inexplicável, permitindo que o latejar desenfreado das emoções tome asas sem peias. Depois, já pela noite dentro, é pernoitar na moita das sistematizações, a construir e reconstruir o universo continuamente, ou, então, deixar-se embalar nos claustros da inutilidade dos pensamentos e adormecer acordado.
TL - tertúlia de leituras #26
Há 5 dias


