sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ajustes

As minhas emoções vejo-as como heras, trepadeiras que se enleiam em mim, que me tomam, me estrangulam e me conduzem as estádios de dor não sentida mas que sinto como real.
Não sei descreve-las de melhor forma, é tudo muito complexo, os sentimentos que daí brotam tornam-me melancolicamente instável. Nesse estado de alma, se é que assim lhe posso chamar, as impressões da paisagem, as gentes que vejo na rua, tudo me parece irreal, são apenas sombras que se cruzam no meu caminho, pairam na minha consciência como se não passassem de leves impressões da minha realidade doentia, imagens de espelhos por mim distorcidas. Dir-se-ía serem elementos etéreos deste inferno em mim aprisionado.
No entanto, dias há em que me surgem ajustes construídos através de um recolhimento harmónico interior, também ele complexo e nunca adestrado. Aí chegado, parecem-me antes peças de uma roupagem que não dispenso. São antes regaços maternos de um sentir que me aquecem em dias de frio e me refrescam em dias de calor.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Deff Leppard


Andarilhanças de mim

Andei léguas e léguas no pensamento à procura de salvação desta alma sempre perturbada. Caminhei na lama, estilhacei a vidraça de mim mesmo e afoito combati os “moínhos de vento” que sempre me perturbaram, dessa forma fui criando o mundo à minha imagem e semelhança. Desfiz preconceitos, questionei dogmas, interpretei a genealogia dos ideais, do bem e do mal, menti-me e, já na orla de mim, vi nascer a aurora. Seguia! Na luz translúcida dessa manhã vi nascer a esperança há muito tempo perdida. Renovei a fé em mim mesmo, subi ao cimo do monte e peregrinei mais fundo, entrei nos vales do nada, nas sombras da inexistência, crente que para lá do escuridão a luz renovar-se-ia.
De nada me valeu! De tanto pensar estilhacei a luz. Continuo a suportar o peso do nada. Hoje tudo está ainda mais triste, continuo a querer tudo, mesmo aquilo que não posso ter, provavelmente ainda não atingi o limiar, a fronteira do verdadeiro conhecimento ainda está longe.
Continuo...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Maciez

Apenas nas horas de sono da minha interioridade encontro maciez. Com este olhar vazio sobre as coisas nada me amacia o sentir. Talvez seja o não saber para onde vou, o não saber de mim, o não saber quem sou, talvez estas incompetêncais pessoais sejam as verdadeiras causas.
Há nesta encruzilhada de mim reflexos de uma certa humanidade incompreensíveis, sei bem disso, mas esta compulsão primária, talvez seja o nome correto, inculcada não sei se por Deus se pelo Diabo, leva-me a uma busca constante de promessas de felicidade, que sei bem não existirem. Teimo nelas diariamente, percorro os campos em busca do trevo de quatro folhas e apenas encontro venenos subtis que recorto nos cantos mais recônditos da minha escuridão.
Vale-me este esconderijo de escrever, de errar pelas palavras aladas, pelas matáforas sucessivas, onde me exponho e me humilho constantemente, mas que me nascem do nada, sem nunca as ter regado convenientemente.