segunda-feira, 18 de junho de 2012

Voltei?


Voltei porque a dor do nada continua, voltei porque não descortino auroras, nem arremedos de madrugadas. Os sentidos continuam mortiços e a alma continua a fermentar palavras que, por vezes, libertam. Hoje creio nisso, amanhã talvez já não seja essa a verdade, amanhã talvez seja completamente diferente. Talvez! Talvez porque eu sou a antítese daquilo que me rodeia. Em mim tudo é caótico, tudo se altera em fracções de ilusão. Em mim dou como certo apenas a ausência do incerto. Apenas vejo rotinas em meu redor, sempre a mesma hora de levantar, o mesmo carreiro de carros alinhados, todos em direção ao mesmo, as mesmas árvores, as mesmas curvas... Em mim impera a carpidação existencial, medonha e confusa.
Voltei, e porque não dizê-lo, porque quero continuar a prostituir a palavras que por aqui lavro, eventualmente a alimentar voyeurismos, voltei, desta pequena quarentena, porque neste momento acredito que este impulso vital me ajudará nesta vacuidade dinâmica interna, me apagará as grandes névoas, falsas, independentes de mim, que me vêem à memória.
Voltei? Não!, nunca se volta...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Adiado sine die


Este blog fica adiado sine die.

Não tenho emenda!

Vivo numa cela de emoções com grades de razão. Não passo de um preso faminto de nada, sedento de coisa nenhuma. Sou um zé-
-ninguém que nem o Wilhelm Reich soube descrever. Sou antes o borra-botas que o Aquilino Ribeiro descrevia tão bem, aquele que vive embrenhado numa existência pequena porque as coisas grandes não as consegue compreender. Sou aquele que vive sonhos medíocres, o inocente que ainda acredita na felicidade, aquele que não sabe intuir o tempo, que vive no seu mundo e não acompanha as mudanças. Sou aquele que não se compreende a si próprio, ignorante, míope, aquele que não percebe que a vida nos dá coisas e nos retira outras.
Não tenho emenda. Embarco em navios e não sei que existem cais. Viajo em mim e creio que tudo é real, ainda não consegui entender a diferença entre estes dois mundos.
Não tenho emenda. Sei que a escrita não me trará o que procuro, no entanto, continuo a desnudar-me todos os dias.
Até quando?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Inquietudes


Que quer de mim esta anima que me humedece e me torna frágil, estéril, incompreensível? Que inquietação é esta que me torna irrequieto, inconstante, me leva a erguer-me constantemente e a sentar-me de imediato na cadeira onde deixo as palavras fluírem aleatoriamente? Que vida é esta que me desilude, que me leva a fé, o sono, que me arranha e me conduz permanentemente a uma existência moribunda, inútil?
Que inquietude é esta que me afoga e me sufoca?
Que deusa pagã é esta que me retira o brilho dos olhos? Que Fauno é este que não me deixa colher flores nos bosques, me transporta sempre para florestas assombradas e me obriga a caminhar em contemplações estéreis? Que deus malévolo é este que me leva a alhear-me de tudo e me torna reles, bruto e insensível? Que primeva cadeia é esta que me ata e não me deixa contemplar as cores da vida que todos dizem existir?
Que besta é esta repleta de mosquedo que, na tentativa de se livrar delas, se espoja em mim e acorda estas inquietudes permanentemente?
Porque faço perguntas e não recebo respostas?