quarta-feira, 20 de junho de 2012

Leituras

O Sol de fim de tarde entra na janela estreita que, ainda assim, possuo. Leio. Na magia das palavras abrem-se-me outros mundos. Pouco a pouco o tempo encerra-se sobre si mesmo, autofagia-se, parece deglutir a última vaga da ilusão da vida. Uma após outra, palavra após palavra, as curvas da estrada abrem-se, a paisagem alarga-se e toma contornos de irreais. As memórias diluem-se-me no sabor aveludado das horas bacantes e eu esqueço-me da minha existência.
As palavras são assim! Têm dentro delas a magia dos símbolos e levam-nos a viagens sem necessidade de portas de embarque. Embarco ao sabor do vento e o peso do abominável feixe de lenha que carrego para me aquecer nos tempos de invernia alivia-se no bulício e no sossego de viagens fingidamente reais.
Viro a página.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Terramoto


Estou sozinho em mim. Cientificamente falando, estou em volteios intersticiais cerebrais. Geologicamente falando, estou num terramoto com epicentro no pensamento. As ondas de choque curvam-se e vejo nascer em mim montes e vales, alegrias e tristezas, que se prolongam desde o passado até ao futuro.
Pobre conhecimento este que não consegue descrever arrepios e buscas interiores sem fazer uso das sinuosidades geológicas, sem recorrer à estafada metáfora da manta de retalhos que sou e me torna incompreensível. Pobre conhecimento este que não encontra palavras poéticas capazes de explicar estas fugas de mim, estas abstrações espontâneas que me alteram o humor, que me fazem entrar noite dentro sem sono e me conduzem a sonhos sem cor, a mundos sem rios nem mares.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Voltei?


Voltei porque a dor do nada continua, voltei porque não descortino auroras, nem arremedos de madrugadas. Os sentidos continuam mortiços e a alma continua a fermentar palavras que, por vezes, libertam. Hoje creio nisso, amanhã talvez já não seja essa a verdade, amanhã talvez seja completamente diferente. Talvez! Talvez porque eu sou a antítese daquilo que me rodeia. Em mim tudo é caótico, tudo se altera em fracções de ilusão. Em mim dou como certo apenas a ausência do incerto. Apenas vejo rotinas em meu redor, sempre a mesma hora de levantar, o mesmo carreiro de carros alinhados, todos em direção ao mesmo, as mesmas árvores, as mesmas curvas... Em mim impera a carpidação existencial, medonha e confusa.
Voltei, e porque não dizê-lo, porque quero continuar a prostituir a palavras que por aqui lavro, eventualmente a alimentar voyeurismos, voltei, desta pequena quarentena, porque neste momento acredito que este impulso vital me ajudará nesta vacuidade dinâmica interna, me apagará as grandes névoas, falsas, independentes de mim, que me vêem à memória.
Voltei? Não!, nunca se volta...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Adiado sine die


Este blog fica adiado sine die.