quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sem tempo


Perscruto o tempo,
Desço na deriva da evolução.
Vi Deus criar-me:
Nasci do pecado original,
Da culpa que não tenho,
Sei da minha imperfeição.

Desço mais um degrau,
Vou no tridente de Neptuno
Olho de longe Poseidon,
Não distingo diferenças,
Pegadas comuns do mesmo caminho

Luto por poder,
queimo pelo mito da verdade
e morro de vergonha.

Entro na caverna
sou recolector,
caçador,
luto pela sobrevivência,
Abismo-me com o mundo
crio deuses,
bons e maus,
pretos e brancos,
Não distingo diferenças.

Renasço antropóide
e perco a consciência.
Sou ouriço do mar,
célula,
molécula inorgânica de um
coacervado,
de um caótico mundo
instável.

Expludo,
construo o universo,
os sóis e os planetas.
Caio no vazio,
advém o nada,
a eternidade

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Há caminhos que bifurcam


Hoje a minha floresta surge-me densa, as clareiras são raras, não há luz que me ilumine. Condeno-me a mim próprio, talvez, mas tropeço demasiadas vezes em folhas ressequidas, repletas de “certezas” que não compreendo. Olho em redor à procura de Pã, dos faunos da florestas e não os encontro, desapareceram todos na minha escuridão, ou na luz do tempo, não sei bem.
Ah!... outros mundos, sinto-me inapto para os descobrir. Não há harmonia em mim, por natureza sou demasiado inquieto e conciso, não consigo. Há demasiados cataclismos que me atormentam, não possuo um espírito protector, não há salvação para mim... De pouco me valeram as horas que passei embrenhado nos livros que me deram certezas sem nada me explicarem.
Há caminhos que bifurcam.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Yes



(...)

Soon oh soon the light
Ours to shape for all time, ours the right
The sun will lead us
Our reason to be here
The sun will lead us
Our reason to be here

Roubar uma nuvem

Esta música incomoda-me. Incomoda-me não sei se pelas recordações quer me trás se por ferir o silêncio de que necessito para entrar em mim. Logo hoje que queria voar nas asas do vento e subir ao cume dos montes, ascender bem alto, ver a curvatura da terra e, no regresso, trazer uma nuvem. Roubar uma nuvem, que sempre foi o meu sonho de criança. Embrulhá-la nos sentires, dissolvê-la na angústia e saborear a doçura do algodão doce. Queria adormecer nela todos os dias da minha existência, descansar no dorso da sua maciez e deixar definitivamente esta cama de faquir cujos pregos se espetam em mim e me ferem, me algemam a esta realidade sem substância.