sábado, 14 de julho de 2012

A feira


Estes sons calmos, sem bateria para marcar o compasso, parecem ter algum efeito analgésico sobre estas páginas em branco. Devolvem-me palavras lunáticas, imersas em vazio, devolvem-me palavras que me parecem ser a última ilusão do nada.
Procuro na personalidade dos transeuntes a crença de que necessito. Apenas me encontro na indiferença. Procuro neles esta apatia de mim mas não sou capaz de a encontrar. É minha, terrificamente minha! Parece-me tudo tão distante, tudo tão irreal que não sei se durmo se sonho.
Procuro no olhar dos outros este desespero permanente que se entranhou em mim. Nada! Não encontro uma ponte que ligue esta brecha. Estou só, rodeado de gente, e este estigma sangrante do tempo que não pára. Dói-me o meu mundo e dói-me o mundo dos outros.
Deixem-me ir...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sem tempo


Perscruto o tempo,
Desço na deriva da evolução.
Vi Deus criar-me:
Nasci do pecado original,
Da culpa que não tenho,
Sei da minha imperfeição.

Desço mais um degrau,
Vou no tridente de Neptuno
Olho de longe Poseidon,
Não distingo diferenças,
Pegadas comuns do mesmo caminho

Luto por poder,
queimo pelo mito da verdade
e morro de vergonha.

Entro na caverna
sou recolector,
caçador,
luto pela sobrevivência,
Abismo-me com o mundo
crio deuses,
bons e maus,
pretos e brancos,
Não distingo diferenças.

Renasço antropóide
e perco a consciência.
Sou ouriço do mar,
célula,
molécula inorgânica de um
coacervado,
de um caótico mundo
instável.

Expludo,
construo o universo,
os sóis e os planetas.
Caio no vazio,
advém o nada,
a eternidade

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Há caminhos que bifurcam


Hoje a minha floresta surge-me densa, as clareiras são raras, não há luz que me ilumine. Condeno-me a mim próprio, talvez, mas tropeço demasiadas vezes em folhas ressequidas, repletas de “certezas” que não compreendo. Olho em redor à procura de Pã, dos faunos da florestas e não os encontro, desapareceram todos na minha escuridão, ou na luz do tempo, não sei bem.
Ah!... outros mundos, sinto-me inapto para os descobrir. Não há harmonia em mim, por natureza sou demasiado inquieto e conciso, não consigo. Há demasiados cataclismos que me atormentam, não possuo um espírito protector, não há salvação para mim... De pouco me valeram as horas que passei embrenhado nos livros que me deram certezas sem nada me explicarem.
Há caminhos que bifurcam.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Yes



(...)

Soon oh soon the light
Ours to shape for all time, ours the right
The sun will lead us
Our reason to be here
The sun will lead us
Our reason to be here