sexta-feira, 27 de julho de 2012

Materialismo


Hoje destruí-me, destrui tudo aquilo que criei. Entrei no movimento atómico das coisas e não encontrei nada. No vazio do materialismo venci mundos reais ilusórios. Nesse movimento aleatório subatómico mil pedações de mim desapareceram, evaporaram-se nas chamas frias do pensamento. Agora, jazem, solenemente, em campa rasa, com lápide e epitáfio. Rasguei velhos papéis amarelados pelo tempo, apaguei preconceitos, queimei deuses, matei a morte, rasurei velhas verdades, mil folhas perenes tombaram pelos ventos da solidão. Percorri os corredores da loucura, andei nas proximidades da alienação mas proclamei-me. Andei escondido na floresta da realidade doentia mas derrubei muros por mim erguidos. Peguei em armas, fiz-me guerra mas venci-me.
Sinto medos, mas são diferentes...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cansaço


Sento-me na cadeira e espero que a Noite chegue. Fecho os olhos, encosto a cabeça ao travesseiro do cansaço e adormeço. Levito no mundo dos sonhos e afunila-se-me o futuro, fecham-se-me as portas do tempo. Acordo irrequieto, regresso à irrealidade desassossegante onde continuo a sonhar. Cerram-se-me as pálpebras e ordeno-lhe:
- Escuta-me, exterior de mim, maldito sejas, não quero dormir. Não preciso de intervalos. Não quero coisa nenhuma. Não estou cansado, corpo disforme sem dons de vida. Escuta-me... Quero voar e cair do alto.
Escuto-me. Canso-me. Adormeço.

Gary Moore

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ao futuro


Raramente comemoro qualquer acontecimento passado. Essas manifestações de alegria sempre me pareceram descabidas, às vezes ridículas, fora da minha forma de estar e de sentir. Se o faço, faço-o pelas convenções sociais, não por convicção.
Prefiro comemorar o futuro. Este pequeno texto é isso mesmo, é uma comemoração do futuro. Provavelmente comemoro sonhos e ilusões, angústias sem remédio, mas prefiro assim, sinto essa fé bacoca em mim que, apesar de tudo, me alimenta e me alenta para continuar. Sinto uma aragem leve que se levanta no amanhã e faz-
-me crer que é uma brisa matinal refrescante capaz de me libertar da febre medonha do quotidiano.