domingo, 12 de agosto de 2012

Julgar ideias


As horas de silêncio encharcaram-me. Inundaram-me de propósitos e contingências. Como sempre, nele refaço-me vezes sem conta, caio e levanto-me, morro e renasço sempre ao sabor das ilusões, sempre montado nas minhas dúvidas e nas verdades dos outros.
Neste labor maldito, nesta floresta de sentires, todas as horas junto os cacos de mim, em todos os minutos organizo a mala das memórias. Nela retenho as minhas aproximações, afasto as dúvidas, o tédio de ser, mas arranjo forças para seguir. Sei que subo ao cume das dunas para sair da minha alma desértica, sei que sigo no campo da minha infância e que persigo os sonhos que ficaram por resolver, sei que na mochila carrego apenas a incompreensão e o destino. Julguem-me! Quem julga sonhos submersos, quem? Quem julga ideias, quem? Deixem-me… Quero ser eu, este outro eu! Quero ser o “eu” silencioso e fúnebre, sonhador e indiferente, imperfeito e incógnito.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Transmutações


Matei-me, creio que viajei ao nada nietzscheano e regressei. Creio que regressei, ainda não sei, é tudo muito leve, talvez tudo não passe do simples despertar do bafo de vida. Talvez seja o pressentimento da transmutação e nada mais que isso. Talvez não seja mais que o sossego repousante das endorfinas libertadas (e libertadoras) depois de longos quilómetros percorridos.
Não sei!
Decididamente. Sim, há um sossego que me invade, as réplicas dos sentires são leves, de frequências baixas, tudo se vai rarefazendo nas horas que vivo sem viver. Os ruídos do dia transformaram-se em ondas melodiosas do absurdo e vi nascer em mim, cada vez de forma mais nítida: a verdade crua da existência.
Conheço a porta de saída, ou de entrada? Não se sai sem se ter entrado. Não sei onde estou, assim como também não sei se a consigo alcançar.

domingo, 5 de agosto de 2012

Revisões

Hoje é tempo de rever a matéria dada. Reler novamente o que foi dito, distanciado pelo tempo transcorrido. É tempo de me sumariar nas impressões colhidas, de me conservar nas memórias impressas. É tempo de refletir e colher alguma felicidade, função difícil, eu sei, para não dizer impossível, mas porque tal conceito existe enquanto ideia porque não saboreá-la momentaneamente. Não saborear as coisas daqui, essas não passam de ilusões temporalmente definidas que terminarão com a morte, saborear um futuro, uma ideia, uma ilusão. É tempo de agrupar todos esses sentires em mim, tentar encontrar a unidade nas múltiplas tendências que me enformam e por aqui dispersas na simbologia das palavras.
Vou-me!
Fiquem bem.

Dream Theater



(...)
Blurring lines drawn in between
What is right and what is wrong
Victims on the radar string us along

We're on to your agenda
The dead end road to nowhere
(...)