quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Leitores

Nunca escrevi a pensar em quem me lê. Nunca! Escrevo da forma que sei e gosto, sem pensar em públicos, sem pensar nos outros. Não é uma questão de desrespeito, com é lógico, é uma questão pessoal. São questões que não me interessam absolutamente nada. Sei que as palavras ganham asas, ou não, na mente de quem as lê. Sei que tocam mais uns que outros, o que é normal, e isso basta-me.
No entanto, hoje, confesso que sinto alguma curiosidade em conhecer o tipo de visitantes/leitores que todos os dias aportam a este canto escuro. Os números vão somando todos os dias, os novos leitores também vão aparecendo, mas poucos são aqueles que se atrevem a deixar uma mensagem. Não estou a pedir que o façam, bem pelo contrário, até prefiro que seja assim. Esta é apenas uma forma de abordar a questão seguinte. Quantos andam por aí de alma negra, tal como estes textos que por aqui vão sendo publicados? Quantos são aqueles que no seu silêncio banal também sentem o absurdo do mundo e se revêem nestas palavras?
Fica a questão.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Se pelo menos...

Se pelo menos o vento passasse, talvez pudesse escutar;
Se pelo menos o dia chegasse, talvez o medo passasse;

Se pelo menos o sono chegasse, talvez pudesse sonhar;
Se pelo menos o sonho chegasse, talvez pudesse dormir;

Se pelo menos deixasse de pensar, talvez pudesse descansar;
Se pelo menos a loucura chegasse, talvez deixasse de pensar;

Se pelo menos as palavras se calassem, talvez pudesse parar;
Se pelo menos o silêncio falasse, talvez pudesse sentir;

Se pelo menos a Noite chegasse...

domingo, 19 de agosto de 2012

Nada possuo

Nada possuo. Talvez os meus sonhos os possa considerar meus. Mas até esses tenho algumas dúvidas. Até esses são consequências, causas e efeitos, ações e reações de formas de sentir os outros e o mundo.
Nada possuo. Talvez este eriçar de pele, este arrepio provocado pelos pensamentos que me assaltam, seja meu. Não, não é meu! São abalos do comboio em que viajo.
Nada possuo. Talvez os barulhos quotidianos, que hoje me incomodam, sejam meus. Não os barulhos mas o desprezo que sinto por eles. Talvez só este insustentável peso do nada, talvez só esta absurda confissão seja verdadeiramente minha. O resto é o mundo emoldurado por falsos vidrilhos, páginas ilustradas de um livro para crianças, o resto é o universo artificial suspenso no intervalo do tempo.

sábado, 18 de agosto de 2012

Moonspell



(...)

The day now ends and all within
A greater darkness covers everything
Is there no end for such a pain
Is there no hope, no other life, no way to know?

(...)