terça-feira, 11 de setembro de 2012

A rotunda das palavras

Hoje, quero crer que há um caminho para a solidão. Não sei se lhe chame caminho se rotunda. Talvez se aproprie esse conceito. Chamar-lhe-ia a rotunda das palavras, especialmente daquelas que nos obrigam a andar em redor de um conceito para nos fazermos entender e nunca se chega a uma definição concreta e definida.
Estudam-se os conceitos filosóficos, lêem-se os últimos avanços da química quântica, mas subsiste sempre esta sensação interior de vazio, esta sensação de não nos reconhecermos ao espelho. Os conceitos de lógica matemática desaparecem, as montanhas caem-
-nos em cima, a luz adensa-se em nós, o tempo traz-nos reflexões que não cabem nos cânones da ciência e o caminho vai-se transformando em rotunda. Apetece desistir, não adianta procurar perece ser a conclusão. Mas, como se quebra este tráfego de pensamentos banalmente sinistros? Como se deixa de ouvir o eco do tempo? Como se busca a felicidade nos interstícios do nada?

sábado, 8 de setembro de 2012

Nota de rodapé

Cruzo-me nas formas da noite. Percorro as ruas desertas, alucino, os nervos polarizam-se, o sangue fermenta, sufoco, a escotilha abre-se automaticamente: abre-se-me o futuro. Vejo claro. Há um fantasma de um tempo inexistente que o percorre, uma fantasia de um espaço unidimensional que se supõe permanentemente.
A noite é bela. É feita de sonhos e sombras, matéria-prima de um naufrago no oceano do nada. A noite prende-me ao cordão da vida, nela encontro os vales abissais de onde vim e as planícies serenas para onde quero ir.
Na ausência da noite floresço. Ela é o laço que me ata, nela encontro a razão de estar aqui.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Mudanças

O que aconteceu a esta música?! Deixei de gostar dela... Que mudanças aconteceram em mim? Que feitiço deixou de ter? Os sons e as palavras não mudaram. Que raízes se desprenderam? Não sei! A magia parece ter desaparecido.
Durante breves instantes os céus do futuro enchiam-se de promessas, nela fundiam-se os tempos, parecia perseguir o arco-íris, respirava esperança, mostrava razões... de repente, transformou-se.
Agora, é uma flor sem vida, é uma simples memória desarticulada, uma luz sem brilho. A voz é roufenha, as palavras desconexaram-se da sua simbologia, tudo me parece diferente e banal.
Agora, os sons já não são inspiradores de emoções, nada revelam, nem noções transmitem, agora, não passam de meras ondas acústicas que se propagam no ar.
O que aconteceu a esta música?

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Fugas


Há alvoroço em mim. Há fugas para aquilo que fui, para o pó dos caminhos que pisei. Há vozes que me chamam, pensamentos que me fazem olhar para nascente de mim. É como se se soltassem vadiamente, se libertassem das amarras do dia. É sempre assim! As ilusões parecem brilhar mais com a noite. As névoas dissipam-se, as estrelas soltam-se dos olhos para fora, os candeeiros transformam-se em sóis, o céu em inferno e o sonho em realidade.
É sempre assim! É um perpétuo movimento. Sempre de dentro para fora, sempre de dentro para fora, sempre de dentro para fora...