sábado, 15 de setembro de 2012

A trincheira de mim

Apaga a luz. Deixa vir a noite mais cedo. Aqui, na trincheira, o tempo não me descobre. Aqui não há princípio nem fim, nem céu nem inferno, apenas sonhos. Sonhos infinitos que o sol desfaz.
Apaga a luz. A noite pertence-nos. Aqui sinto-me protegido de mim e do mundo. Deixa-me sossegar sobre o teu peito, aqui sei que me encontro, sei que um dia verei a razão de querer.
Apaga a luz. Aqui não oiço passos no soalho, nem ventos enigmáticos nas copas das árvores. Aqui não há ecos da infância, apenas tormentas que me comovem.
Apaga a luz...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sei! Mas...


Sei que as palavras leva-as o vento, mas falo.
Sei que o amanhã não existe, mas espero por ele.
Sei que não consigo, mas tento.
Sei quem me roubou a alma, mas perdoo-lhe.

Vou!

Sinto-me perdido nas circunstâncias, mas vou.

King Crimson

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A rotunda das palavras

Hoje, quero crer que há um caminho para a solidão. Não sei se lhe chame caminho se rotunda. Talvez se aproprie esse conceito. Chamar-lhe-ia a rotunda das palavras, especialmente daquelas que nos obrigam a andar em redor de um conceito para nos fazermos entender e nunca se chega a uma definição concreta e definida.
Estudam-se os conceitos filosóficos, lêem-se os últimos avanços da química quântica, mas subsiste sempre esta sensação interior de vazio, esta sensação de não nos reconhecermos ao espelho. Os conceitos de lógica matemática desaparecem, as montanhas caem-
-nos em cima, a luz adensa-se em nós, o tempo traz-nos reflexões que não cabem nos cânones da ciência e o caminho vai-se transformando em rotunda. Apetece desistir, não adianta procurar perece ser a conclusão. Mas, como se quebra este tráfego de pensamentos banalmente sinistros? Como se deixa de ouvir o eco do tempo? Como se busca a felicidade nos interstícios do nada?