sábado, 22 de setembro de 2012

Aventurei-me!

Aventurei-me! Ousei entrar na busca reveladora da beleza. Descobri montes verdejantes, melodias, flores em permanente abertura, carícias infinitas... mil feitiços que só a realidade criativa nos revela.
Aventurei-me! Quis saber como tudo começou. Descobri corredores de tempo, memórias reveladas, desejos, fontes secas, nevoeiros, ansiedades, frustrações... tudo símbolos de uma matriz humana comum.
Aventurei-me! Quis saber o que era a vida, quis penetrar nos enigmas da ciência reveladora das verdades simples e complexas. Descobri a eterna luta entre Deus e o Diabo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Escrever (parte 2)

Escrever é ser capaz de detetar esses leves momentos impressivos que todos nós possuímos e conseguir colocá-lo nas palavras. Escrever é entrar na nossa escuridão e nela conseguir descortinar a mais leve fímbria de luz. Talvez eu seja um impressionista, talvez me interessem muito mais as cores interiores do ser humano, mesmo que sejam em tons negros, que o cinzentismo da realidade. Talvez me interesse mais o movimento do pensamento que o quietismo marchante e alinhado das palavras. Talvez me interessem mais as palavras perfurantes, que abrem brechas em nós, do que as ideias românticas e amenas que se me revelam pelas manhãs.
Escrever é para mim, e cada vez mais, afogar-me conscientemente no oceano do pensamento, procurar sentido nas sombras sem sol, juntar os cacos escondidos e partir em busca do tesouro perdido no templo humano.
Escrever é tentar definir o nada, que é tudo, para parafrasear o poeta.

Mozart

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Escrever (Parte 1)

Escrever sem sentir o mundo é apenas descrever. Não me revejo na escrita meramente descritiva, por muito escorreita que seja do ponto de vista gramatical ou sintático. Escrever sem tentar colocar nas palavras a individualidade do mundo interior que todos nós possuímos, vivido de forma mais ou menos intensa, pouco mais é do que um ato de aprendizagem que se treina na leitura e no próprio ato de escrever.
Se há alguma beleza na literatura, essa beleza passa, no meu modesto critério, pela capacidade de reinventar o mundo que está à nossa volta, que todos nós vemos, mas que todos sentimos de forma diferente. Acredito que essa capacidade de reinventar o mundo não depende apenas do conhecimento científico que se possua. Não rejeito que esse conhecimento nos facilita a tarefa, mas, para além desse conhecimento científico, existe um outro muito mais humano, e que é também conhecimento, sem qualquer sombra de dúvida, e que passa pela tomada de consciência de nós e do mundo que nos rodeia e que, creio, pode existir no mais humilde dos seres humanos, mesmo que não possua vocabulário capaz para expressar o que vai no seu íntimo.

(Continua..)