segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Águas de um rio



As águas deste rio vazio engrossam com trovoadas da ilusão e metáforas. Volta a encher-se de tédios, enganos e verdades incompreensíveis. Enche-se de interstícios abismais que se adernam alternadamente num tempo que não existe. Que temores, que mal-
-estar é este, que é nada, mas que sufoca e a psicologia não teoriza? Quem se importa? Quem sabe?

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Quebrar os ontens



Hoje não quero olhar para trás, quero deixar as falsas ilusões e, amanhã, quero limpar as lágrimas secas que me encharcaram ontem.
Hoje, sem razão aparente, vejo uma luz no deserto de amanhã. Amanhã quero ser eu a fazer as regras, a quebrar os ontens que todos os dias são misteriosamente hoje. Quero virar a página, iniciar um novo ontem, mesmo na véspera de manhã. Amanhã quero partir, quero partir para longe de mim, não quero conhecer a realidade palpável de ontem nem entrar nas brumas reais do hoje.
Amanhã não quero pensar no ontem de hoje, nem no ontem de amanhã.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

OS ISIDROS – A epopeia de uma família de cristãos-novos de Torre de Moncorvo

A alma é também um abismo temporal e ainda bem. A minha é medieva, sei-o agora. Gosta de viajar nas dimensões do passado, de reconhecer as pessoas que existem nas páginas dos livros e captar-
-lhes a tristeza inenarrável sentida nas acusações mesquinhas e interesseiras feitas em nome de uma verdade insincera.
Gosta de se transformar nas suas vidas quotidianas, de as sentir percorrer as ruas que também percorre, de as olhar nos olhos e descortinar neles a força e a esperança para enfrentar os murmúrios acusatórios dos vizinhos e dos amigos. Gosta de conhecer a realidade prismática que foram obrigados a viver e que transformaram em defesa da sua verdade.
Sente que lhes pertence. Sente que tem dentro dela o verbo das orações, os sonhos inacabados antes de tempo, a calma de quem tem a consciência tranquila e nada tem que temer.
Este não é apenas um livro de pesquiza histórica, de perseguição e de intolerância. Ultrapassa a narrativa fria da ciência e vai-nos dando quadros de um quotidiano que nos ajuda a compreender as emoções, os sentimentos e as posições de quem não se verga e morre na fogueira, de quem não resiste à dor e é obrigado a renegar as crenças do amanhã.

Lançamento: Ver aqui.