terça-feira, 2 de julho de 2013

A entrada

Foram longas horas a caminhar entre a folhagem cultural até descobrir a entrada, muitos livros lidos até descobrir que se escondia entre as dobras dos montes que tantas vezes percorreu, que tantas vezes lhe serviram de inspiração mas, finalmente, descobrira-a. Estava ali mesmo, junto a si, mesmo ao lado do seu respirar. Estranho mas verdadeiro. Mesmo em frente aos seus olhos e nunca a viu. Mesmo ao lado dos seus ouvidos e nunca escutou os seus sussurros. Mesmo ao lodo do seu coração e nunca sentiu a sua presença. Estranho mas verdadeiro!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A noite do outro dia

– Truz, truz...
Foi ver quem batia. Riu-se quando a viu. Nem queria acreditar: a noite do outro dia. Mais um reflexo do Tempo que lhe espreitava à mente. Mais uma triste figura que deambula pelos abismos insondáveis da escuridão, à procura de fragmentos da idade de ontem.
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quarta-feira, 26 de junho de 2013

A Minha Rua


A minha rua não existe,
é só minha.

Na minha rua não há avenidas,
apenas esquinas
que a maranha das palavras tenta desvendar.

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

A Rua da Coerência

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Perdido nos pensares, perguntou pela Rua da Coerência e disseram-
-lhe que não estava aberta a doentes. Quis vê-la. Aproximou-se e, de facto, não se via ninguém fora dos passeios, ninguém atravessava fora das passadeiras para peões, nenhum carro desalinhado. O formigueiro continuava meticulosamente quadrado na ordem inorgânica estabelecida pelos mercados, pelo medo anárquico da Quinta Invisível.
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