domingo, 8 de setembro de 2013
Laborum
[...]
E, entre conceitos e palavras, entre este mundo e o outro, entre o Céu e o Inferno, laborava ininterruptamente nesse laboratório de regresso temporal, continuava a encontrar eclipses lunares, reflexos psicológicos inconsistentes, continuava a criar linhas isobáricas e isostáticas de um mapa desconhecido, mas cada vez mais preciso. Construía frágeis represas de memórias susceptíveis de um dia se romperem e tudo alagarem mas, mesmo assim, não perdia um minuto. Continuava nessa busca de regresso aos fundamentos de si, continuava em busca da raiz do medo.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Descanso
Às vezes quero julgar esse culpado e desterrá-lo para terras longínquas, condená-lo a prisão perpétua. Julgá-lo neste meu tribunal arbitrário, eu sei, ser juiz em causa própria, eu sei, mas mesmo assim queria julgá-lo, enquanto vive, porque depois não o fará. Depois, pairará na Terra do Nada, navegará ao sabor dos ventos, sem causa nem destino, errará pelos sítios nunca visitados e descansará à sombra de um tempo infinito. Descansará à sombra da tumba de um templário, de um vitral de uma igreja, de uma tela surreal, à sombra de uma árvore, só, erguida na paisagem ondulante e verde. Sei que será assim!
[...]
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Quando a realidade acaba e o sonho começa
[...]
Hoje,
ergui-me sozinho,
debrucei-me sobre a minha geografia,
boçal,
e a realidade feneceu.
Amanhã,
nas ressonâncias do ontem,
putrefactas,
bêbado pelas causticas inalações de ser
marcharei,
em compasso descompassado e,
talvez o sonho se erga.
Hoje,
ergui-me sozinho,
debrucei-me sobre a minha geografia,
boçal,
e a realidade feneceu.
Amanhã,
nas ressonâncias do ontem,
putrefactas,
bêbado pelas causticas inalações de ser
marcharei,
em compasso descompassado e,
talvez o sonho se erga.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
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