quinta-feira, 3 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Se...

A dor da minha existência, hoje, arde em lume brando. Perco-me num estado memorialístico intermédio, dir-se-ia a dois tempos. Navego pela geografia dos sentires há muito quebrados e na geometria poética dos sentimentos vagueantes. Medito, mais uma vez, no passado e no futuro e deixo-me envolver pelas inexistentes preposições dos “ses”. Choro a ilusão dos “ses”! Se pudesse começar de novo jamais entraria no desassossego vadio do pensamento. Se pudesse começar de novo viveria na epiderme e não no cérebro.
A chuva caíria branda, não haveria trovoadas, o sol douraria as existências, a simplicidade das sensações louvariam amores e desamores, abraçariam a frescura dos dias e não as suas deambulações paradoxais. Tudo faria sentido, só existiria um mundo e um tempo, os dias sucederiam às noites, a primavera antecederia o verão, nada soaria a falso, tudo seria real, palpável.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O abismo das palavras

Gosto de entrar no abismo das palavras e nos sentires que me provocam. Gosto de olhar em torno de mim e deixar-me envolver pelas imagens irreas que se formam em mim e que tateio como um invisusal. Saborei-o longamente este rodopiar em torno de uma ideia, de um conceito, saboreio a doçura que é deixar-me cair neste poço sem muros, nem fronteiras, neste universo onde tudo posso fingir e ser.
Nele, torno-me egocêntrico. Nesse mar de deambulações constantes, de hesitações, de certezas e de dúvidas, de tragédias e odisseias, de amores e castigos, nele sou o centro do universo. Nele, “eu” sou o centro da floresta desordenada, a chave desencriptadora de um dicionário aleatório, “eu” sou a ponte que nada une mas questiona, a garra que as amordaça e a asa que as liberta.
Nele encontro o tédio do pensar.
- Abaixo o abismo das palavras!

Não sei explicar


Não sei explicar! Acho beleza nas coisas mas não consigo exprimi-la em palavras. Às vezes, como exercício, e na tentativa de captar a essência dessa beleza, da brandura, da ternura.... que algumas imagens nos transmitem escrevo sem nexo, sem a preocupação de conjugar as palavras num único sentido. Sigo-as, talvez a seguir representações do belo existentes em mim, mas que, objectivamente, depois de lidas e relidas obrigam-me a refazer tudo vezes sem conta, porque não há sentido naquilo que digo.
Às vezes, quando olho para um quadro sinto-me atraído por ele, encontro beleza nele, mas não consigo beber o mistério e o sonho que ele encerra. Chegam-me ecos das cores, de ideias, de cheiros, memórias de sombras, da calidez, até de gestos... no fundo sabores simbólicos em mim existentes mas que, por incapacidade abstrativa, provavelmente, não consigo fundi-los num só cadinho.
Não sei explicar...