Tomo nota. É uma verdade agora descoberta, exactamente agora: quanto mais desço em mim, menos relevância adquire o mundo externo. Esta é a verdade dualística que me acompanha desde sempre, e que, diariamente me obriga a decidir.
Nesta bifurcação perene, já não sei se hei-de voltar a entrar no nevoeiro da minha antemanhã distante, e que todos os dias se revela um pouco, ou se, por outro lado, devo seguir a esperança no futuro, onde não vislumbro uma linha de rumo, onde apenas vejo barcaças a navegar à vista, onde o valor das coisas já não é o que aprendi.
Não me entendo, não entendo o mundo.
Cruzo os braços, regresso a mim.
domingo, 16 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Sons do Tempo - 6
Deixa-me trazer-te as canções da floresta:
para te sentires muito melhor, mais do que podes saber
Cheio de Poeira, dos pés à cabeça.
Mostro-te como o jardim cresce.
Segure firme, vê como vai.
Junta-te ao coro, se puderes:
Ele vai fazer de ti um homem honesto.
Deixa-me trazer-te o amor do campo:
Papoilas vermelhas e rosas cheias de chuva de verão.
Para curar a ferida e a dor
que te ameaça novamente
Enquanto se arrasta a travessa em todos os amantes
A Celebração longo da vida é aqui.
Eu vou brindar a todos num elogio fraco.
Deixa-me trazer-te todas as coisas refinadas:
Canções de luto servidas em cerveja resfrescante.
Cumprimentos por encontrares o colega granizo!
Eu sou o vento para encher a tua vela.
Eu sou a cruz para fixar o seu prego:
Um cantor desses tempos imutáveis.
Com prosa de cozinha e rimas de sarjeta.
Canções da floresta fazem sentir-te muito melhor.
sábado, 8 de janeiro de 2011
O que me dizem as coisas
Desço a rua silenciosa, húmida, as casas comprimidas vão-se sucedendo, as varandas opostas quase se tocam. Imediatamente brota em mim uma corrente de impressões, leves, tão leves que só tomo consciência delas mais tarde, depois de sair do aperto da rua e entrar na largueza da praça. Entretanto, e sem dar por ela, vivi. Embevecido pelas formas, pelos ângulos, pelas gentes que nela circulam, pelos rostos antigos que me falam, que me respondem e me questionam, pelas plantas, e não só, que apenas vegetam, por tudo isso sonhei vidas através de um diálogo mudo e contínuo que não me cansa.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
A crise
- Nada convém que se repita,
Dizia o velho jarreta.
Da crise?
Nem me atrevo!
Deixo o silêncio entrar.
Dizia o velho jarreta.
Da crise?
Nem me atrevo!
Deixo o silêncio entrar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)